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GUROVITZ: Bolsonaro vai a Israel em momento crítico para Netanyahu

Publicada em 29/03/19 as 09:01h por G1 - 261 visualizações

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 (Foto: G1)

A visita do presidente Jair Bolsonaro a Israel, a partir de domingo, ocorre às vésperas de eleições convocadas para 9 de abril. Em vez da mudança da embaixada, Bolsonaro provavelmente anunciará a criação de um escritório comercial em Jerusalém. Para o premiê Bibi Netanyahu, Bolsonaro oferece a oportunidade de desviar o foco negativo que tomou conta da campanha eleitoral.

Bibi dissolveu seu governo para postergar o risco de indiciamento em dois dos quatro escândalos de corrupção em que é alvo. Se for reeleito (pela quinta vez), superará o recorde de permanência no cargo do fundador do Estado de Israel, David Ben-Gurion.

Bolsonaro é um personagem lateral na estratégia de Bibi. Ele pretendia ganhar impulso eleitoral graças ao reconhecimento americano da soberania israelense sobre as colinas de Golã, tomadas da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas em 1981. Mas não contava com o recrudescimento do conflito na Faixa de Gaza, o lançamento de foguetes contra Tel Aviv e povoados no sul de Israel.

Ao contrário do debate interminável que cerca a Cisjordânia ocupada, não há questão sobre a importância estratégica do Golã para Israel. Lá do alto, é possível atingir com bombas as comunidades israelenses embaixo e o mar da Galileia, principal fonte de água do país.

O Golã foi objeto de diversas negociações de bastidores com os sírios, algumas levadas adiante pelo próprio Bibi. Nunca resultaram em acordo de paz porque o governo sírio jamais quis resolver a questão. A posição internacional é que a solução só seja definida num acordo definitivo.

A derrocada da Síria ao longo da guerra contra o Estado Islâmico nos últimos anos e o estabelecimento de bases iranianas e russas no país mudaram o cálculo estratégico de Israel. Não custa lembrar que Damasco, a 60 km do Golã, fica bem mais perto de Tela Aviv que de Bagdá ou Teerã. Com o controle reconhecido sobre o Golã, Bibi tinha mais um argumento para defender seu papel de garantia de segurança diante do eleitorado israelense.


O reconhecimento da anexação do Golã também serve como prenúncio aos planos de declarar soberania israelense sobre uma parcela da Cisjordânia conhecida como “Área C”, que reúne perto de 60% do território também ocupado na Guerra dos Seis Dias, considerado embrião de um futuro estado palestino pela comunidade internacional.

Bibi sempre resistiu à medida, como a tudo que tenha caráter definitivo em relação aos palestinos. Sua estratégia ao longo dos anos tem sido evitar um estado formal mantendo o statu quo da ocupação e das colônias israelenses na Cisjordânia. A disputa eleitoral com a coalizão de centro-direita Azul e Branco, contudo, o empurra a fazer gestos aos grupos mais extremistas da sociedade e a falar em anexação formal.

Bibi não contava com dois obstáculos. Primeiro, a situação em Gaza. Ele sempre evitou guerras na região, foco de maior tensão por abrigar 2 milhões de palestinos sob o tacão do governo do Hamas, grupo político com um longo histórico de atividades terroristas. Um cessar-fogo frágil foi negociado com a intermediação do Catar.

Segundo, novas revelações sobre as acusações de corrupção. Ao convocar eleições, Bibi esperava desviar a atenção das investigações do procurador-geral Avichai Mandelblit. Mesmo assim, Mandelblit anunciou que há elementos para levar adiante o indiciamento nos casos em que Bibi é acusado de usar seus poderes no ministério das Comunicações para tentar obter cobertura favorável de veículos da imprensa.

Há poucos dias veio à tona um novo elemento que reforça as suspeitas de favorecimento ilícito noutro caso, a compra de submarinos da Alemanha. Mandelblit não indiciou Bibi depois das investigações. De acordo com as novas revelações, porém, ele ganhou US$ 4 milhões com a venda de ações de uma fornecedora da empresa alemã que vende os submarinos a Israel. O caso também é investigado na Alemanha.

Bibi tentará desviar a atenção do eleitorado usando a visita de Bolsonaro para demonstrar seu prestígio e suas credenciais internacionais. Sua campanha segue a todo vapor. Alegou que adversário Benny Gantz, da coalizão Azul e Branco, tem problemas de estabilidade mental, que o telefone dele foi invadido por hackers iranianos e que mensagens escandalosas estão prestes a vir à tona. Ninguém sabe o que o WhatsApp trará na reta final da disputa. E ninguém melhor que Bolsonaro para ensinar a Bibi como aproveitá-lo.






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